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Eterno esboço (ou nostalgia em plena primavera)

Tem momentos no dia a dia que despertam algum tipo de nostalgia. Alguma cena, uma citação num livro. Música bate com força. Algumas poucas vezes, um desenho.
Lembranças de épocas remotas, quase um outro mundo, com certeza um outro eu.
No distante ano de 2000 eu cursei o terceiro colegial. Outro dia encontrei uma amiga dessa época (a gente vive se afastando e se reencontrando nesses quase 20 anos) e ela me fez uma pergunta sobre aquela época. Eu não soube responder. Parei pra pensar, e não tenho lembranças de boa parte daquele ano, principalmente o final dele.
Mas algumas coisas ainda ficam.
Foi provavelmente naquele ano que eu respondi pela última vez com honestidade a pergunta: Tá tudo bem?
Não que a vida seja só derrotas de lá pra cá.
A honestidade refere-se ao "tudo". O tempo vai passando e o tudo vira muita coisa. Normal, não é uma reclamação.
Não entendo como é o funcionamento do cérebro, não faço ideia se o apagão é psicológico ou não. Mas não lembro de muita coisa.
Me lembro de pessoas, entre elas especialmente uma menina.
Estudamos juntos, e ela tinha umas sacadas muito boas, escrevia umas paradas legais e gostava de  músicas massa.
Um dia, não me lembro o motivo, ela me disse "desenhe o lugar onde você gostaria de estar agora".

Eu comecei esse desenho.
Nunca terminei.
Às vezes a nostalgia bate, eu pego lápis e papel, e recomeço.
Me lembro de tudo que aconteceu desde então.
E fica tudo bem.

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