Pular para o conteúdo principal

Natal/Esperança

É Natal. Época estranha pra quem não sabe sentir. E por incrível que pareça esse ano estou sentindo. Algo bom. Confesso que isso me preocupa, já que depois que sinto algo bom a vida costuma me aplicar uma prova. Fato.
Mas enquanto comentava o post de Natal dos irmãos do www.quecorralavoz.com me senti tomado.

A esperança que devo sentir, tantas vezes encalacrada na mais profunda esquina da minha alma me invadiu.

Me disse que apesar dos presentes que não poderei entregar, das pessoas que não poderei abraçar, das despedidas que não poderei fazer eu devo sim mantê-la acesa.

Não há medida irrefutável, não há adeus que dure pra sempre. Não há erro que não possa ser remediado, não há pecado que não possa ser expiado. Não há samba que não alegre, não há abraço que não conforte.

Realmente espero que essa esperança não se perca frente as inevitáveis agruras da vida que me espera daqui pra frente.

E que todos os que sabem que eu os amo sintam um caloroso abraço na próxima meia-noite. E que você sinta nas duas próximas.

Um beijo e um abraço no coração de todos. Os que estão ao lado, os que atravessaram um Oceano ou a Linha do Equador. E aqueles "so close, so far"

Feliz Natal.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Caetano e o tempo.

  Impressionante o poder que a música tem de fazer viajar no tempo.  Ainda há pouco, no banho, Marisa Monte chegou na playlist, e o túnel se abriu.  O ano era 2000. Tudo estava chegando ao fim. O ensino médio, o curso técnico, o século. O grupo grande de amigos também, embora esse a gente só percebesse depois.  O que restava da inocência. Nova Brasil FM era a rádio que o dial marcava o dia todo, e embalava os namorinhos da adolescência.  Virou e mexeu Caetano surgia com o verso "menina do anel de lua e estrela".  Numa dessas vezes, os dois estavam deitados com pouca roupa, ela usava aquele brinco que era o título da música. A gente fez um desenho na pele um do outro e isso se tornou meio que o símbolo das nossas comunicações, e desenhávamos nos cantos das cartas.  Na época isso tinha importância, mas ficou esquecido por quase essa vintena de anos. Até a Marisa Monte me trazer precisamente aquela voz ao pé do ouvido.  Já que em outubro as p...

Eterno esboço (ou nostalgia em plena primavera)

Tem momentos no dia a dia que despertam algum tipo de nostalgia. Alguma cena, uma citação num livro. Música bate com força. Algumas poucas vezes, um desenho. Lembranças de épocas remotas, quase um outro mundo, com certeza um outro eu. No distante ano de 2000 eu cursei o terceiro colegial. Outro dia encontrei uma amiga dessa época (a gente vive se afastando e se reencontrando nesses quase 20 anos) e ela me fez uma pergunta sobre aquela época. Eu não soube responder. Parei pra pensar, e não tenho lembranças de boa parte daquele ano, principalmente o final dele. Mas algumas coisas ainda ficam. Foi provavelmente naquele ano que eu respondi pela última vez com honestidade a pergunta: Tá tudo bem? Não que a vida seja só derrotas de lá pra cá. A honestidade refere-se ao "tudo". O tempo vai passando e o tudo vira muita coisa. Normal, não é uma reclamação. Não entendo como é o funcionamento do cérebro, não faço ideia se o apagão é psicológico ou não. Mas não lembro de ...

Terça

O que fica do encontro é o encontro. A conversa foi boa, mas acabou. O povo sumiu, a luz se apagou. A borra do café mal coado no fundo do copo americano não será lida. O cheiro do cigarro morto apagado no cinzeiro vai passar. Tudo fica ali, naquele momento. O que se carrega do encontro? Sorriso, riso, experiências, abraços? Não. O que fica do encontro, é o encontro. Ainda é terça feira.