Pular para o conteúdo principal

Divagações no banho

Enquanto uma barba cultivada e tratada com carinho por dois meses escorria pelo ralo, fio após fio até entupir, algumas coisas me passaram pela cabeça.

Enumero-as então.

1- Não devia ter feito isso, estava bonita minha barba. Quantos mais arrependimentos vou carregar? Quantas outras vezes tomarei uma atitude e no instante seguinte, mudarei de ideia, tarde de mais? Quantas vezes eu vou arrebentar minha cara até aprender? Por falar em arrebentar a cara essa lâmina não presta mais...

2- Preciso mesmo emagrecer, meu rosto tá parecendo uma bolacha Trakinas. Hehehe, que saudade do Mateus. Muito massa né, ele tá formado, empregado numa profissão que gosta, que estudou. Acho que ele vai longe, pelo menos foi o que senti quando conversamos sobre seu emprego, sua área. Será que eu tô muito velho pra resolver estudar alguma coisa e ser feliz numa profissão? Ai, essa merda tá arrancando os pelos, não cortando.

3-Ela gostava de barba. Ou não gostava? Já li algo a respeito mas não lembro, não tenho certeza se era dela que ela falava ou de um terceiro. Nossa, essa diversidade de opções para se comunicar com uma pessoa me embaralham a cabeça. Msn, E-mail, Sms, Facebook, Twitter. Devia ter feito o que pensei, e conversado por carta, certeza que agora eu acharia a resposta. E de todas as vezes que a perguntei, porque a resposta é um grande rolo na minha cabeça? Porque ao invés de lembrar o que ela me disse, lembro de um milhão de outras coisas? Nossa, eu nunca mais assisti V de Vingança. Poderia assistir Constantine hoje, que também faz tempo. Ai, cacete! Devia mesmo ter  feito isso com uma lâmina nova.

4-Acho que amanhã vou pedir um aumento, minha vida precisa mudar de rumo, pra isso preciso de dinheiro. Fiquei bonito com esse bigode, vou deixar.  Será que quando o Marcelo Camelo tirou a barba, alguém fez a piada "Ah, finalmente ele vai procurar um emprego"?

5-(essa depois de terminar o banho) Já sei, vou assistir Snatch, porcos e diamantes! É, não adianta, não vou conseguir usar esse bigode (raspando-o, enfim).

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Obrigado Ferris Bueller.

Nos idos de 1990, conheci um menino. Nesses 20 anos que se passaram desde então, muita coisa aconteceu entre nós. Coisa boa e coisa ruim, muito eu o vi aprender, errar e acertar. Vi quando aprendeu a contar, quando aprendeu as cores e, aos 10 anos o vi começar a aprender aquilo que hoje o faz pleno. Tocar violão e guitarra. Enquanto isso, na sessão da tarde que assistíamos depois de eu trazê-lo da escola, o talvez mais clássico filme de adolescentes dos anos 80, passava e passava e passava. Curtindo a Vida Adoidado. Quem não se lembra das loucuras de três adolescentes numa tarde na cidade norte-americana de Chicago, depois de matarem aula e pegarem “emprestado” do pai do Cameron a Ferrari 1960 que ele havia restaurado? E a cidade inteira cantando com Ferris na parada? Porque eu contei isso? Ontem, ao vê-lo no palco pela primeira vez por um show inteiro, e ouvindo os elogios à sua musicalidade ao meu redor, ao orgulho que me preencheu, algo se somou. Uma lembrança daquele ...

Tentei ser imparcial.

Mais uma vez aconteceu. Parece que a sina de quem se envolve comigo invariavelmente passa por decepção. Não sei o que acontece, só que é repentino, inesperado. Assustador. E parece que quanto mais envolvido eu estiver com a pessoa, pior para ela. Por algumas vezes estive a ponto de dizer que te amava. Mas parei antes, para não assustá-la e por não ter certeza do que sentia. Pois é. Agora, mesmo que não fosse isso, estou mais uma vez sozinho. Culpa minha, e só minha, que fique bem claro. Enfim. Vou seguir em frente, não existe outra opção. Mais um remorso para me lembrar por muito tempo. Mais um esqueleto no armário. Também não é por isso que desistirei de lutar pela minha sobriedade e me entregarei de vez. Pelo meu filho, minha mãe e meu pai. Mas principalmente por mim, não posso desistir, sei que sou mais do que tenho sido na vida. Continuo querendo vencer diariamente essa batalha. Afinal cada dia vencido é um tijolo que coloco em minha frente, como para construir um...

Velinhas, promessas e egoísmo...

Ano novo e aniversário são datas que costumo olhar para dentro, para trás, e pensar como serei daqui pra frente. Reavalio todas as cagadas, e juro pra mim mesmo que elas não tornarão a acontecer. Como esse ano é meio novo, ainda é cedo para pensar no reveillon (nem chegou o São João). Mas, ter nascido no gélido quase inverno do ABC Paulista tem lá suas vantagens. Soprar velinhas em junho me dá a oportunidade de fracassar em promessas semestre a semestre. É fato. Promete, quebra promessa, Promete, quebra promessa, Promete, quebra promessa. Faz um bom tempo que as coisas funcionam assim. Então, deixo agora para a posteridade minha última resolução: “De hoje em diante, nunca mais prometo nada. Viverei o melhor que puder pelos próximos 5 minutos, tentando agradar única e simplesmente a mim”. Muito obrigado pela paciência com tão tola literatura. Agradeço a todos os que lembraram-se do dia de hoje. Um beijo e um abraço nos seus corações.